FAZ AGORA PARTE DA
.
MAIS FORTES JUNTOS.
EasyVista

«AI First» é o objetivo errado

6 Fevereiro, 2026

Sou Keith Andes. Fui analista na Gartner e atualmente trabalho na área de marketing de produto. Nos últimos anos tenho acompanhado de perto o impacto da Inteligência Artificial (IA) no ITSM — e há uma tendência que me preocupa.

Muitas organizações estão a colocar a IA no centro da estratégia. Mas isso nem sempre é o ponto de partida certo.

A IA está em todo o lado: na agenda da direção, nas conversas das equipas e nas ferramentas que já se começam a testar. O problema é que, em muitas organizações, ainda não existe uma resposta clara para duas perguntas básicas: por onde começar e como gerar valor.

Na prática, a tecnologia aparece antes de o problema estar bem enquadrado. As equipas experimentam, exploram possibilidades, mas sem uma pergunta clara por detrás. A IA acaba por ser usada porque está disponível — não porque resolve algo concreto. Pode haver ganhos pontuais, sobretudo a nível individual. Mas aquilo que funciona numa experiência isolada dificilmente se transforma numa abordagem estruturada à escala da organização.

O problema não está em usar IA. Está em começar por ela. A prioridade deve ser outra: processos primeiro, IA depois.

(Dito isto, não tenho dúvidas sobre o potencial da IA. Vai transformar a forma como trabalhamos. Mas não vale a pena alimentar a ideia de que essa transformação será automática ou simples.)

1. O erro de começar pela IA

    Quando a prioridade é “usar IA”, a iniciativa costuma surgir de cima: “Temos de fazer alguma coisa com IA.” A intenção é compreensível. Nenhum líder quer ficar para trás com a última tecnologia. O problema é que, muitas vezes, falta clareza sobre o objetivo concreto.

    As equipas são pressionadas a introduzir IA, em vez de começarem por definir claramente o problema a resolver. O resultado são projetos soltos, trabalho duplicado e recursos investidos sem um retorno.

    Dados recentes da EasyVista indicam que 95% das grandes organizações já recorrem à IA no ITSM de alguma forma (nas PMEs, a taxa aproxima-se dos 90%). Sem direção e critérios claros, as iniciativas não passam da fase experimental, e rapidamente surge a ideia de que a IA não era assim tão revolucionária.

    O verdadeiro desafio não está em usar IA. Está em aplicá-la onde ela realmente acrescenta valor.

    2. Escalar só faz sentido quando os processos já são consistentes

    A IA não resolve processos mal estruturados — pelo contrário, tende a amplificá-los. Por isso, antes de integrar IA no seu ecossistema de ITSM, faz sentido começar pelas áreas que já funcionam de forma consistente e que podem beneficiar de maior eficiência.

    Se o encaminhamento de incidentes já é inconsistente, a IA apenas vai acelerar o erro. Se o CMDB está desorganizado, a análise gerada refletirá exatamente essa desorganização. No fim, o resultado será sempre proporcional à qualidade dos dados de origem.

    Não é necessário ter processos perfeitos para começar. Mas faz sentido começar onde já existe consistência: dados fiáveis, fluxos claros e resultados previsíveis. Em áreas desorganizadas, a IA tende a acrescentar ruído e a tornar ainda mais difícil perceber se o resultado está certo.

    Vale a pena encarar a IA como um fator de ampliação daquilo que já funciona — não como uma solução para processos que estão desalinhados. A IA tende a gerar mais impacto nas áreas onde os processos já estão consolidados e funcionam de forma consistente. Comece por aí, confirme que está a trazer resultados e só depois avance para outras áreas.

    3. Criar competência através de aprendizagem partilhada

    Uma estratégia de IA sólida começa por aprendizagem — mas essa aprendizagem tem de ser partilhada. Faz sentido testar novas ferramentas, mas o que cada um aprende não pode ficar apenas ao nível individual. As equipas podem (e devem) testar ferramentas como o ChatGPT, mas o objetivo não é cada pessoa descobrir “truques” sozinha: é transformar essas experiências em prática comum.

    Pode ser útil dedicar uma sessão mensal à partilha de experiências com IA. Se cada encontro se focar numa função específica, torna-se mais fácil identificar o que está a resultar:

    Onde é que a IA ajudou a poupar mais tempo? Em que tarefas foi aplicada de forma prática? Houve alguma utilização que possa ser replicada por outras equipas?

    Estas partilhas acabam por criar um “manual” interno. Com o tempo, começam a surgir padrões: situações em que a IA poupa tempo de forma consistente, melhora a experiência ou reduz trabalho manual. São esses os casos que vale a pena registar, consolidar e, depois, aplicar de forma mais alargada.

    À medida que as equipas ganham confiança e consolidam conhecimento interno, o passo seguinte é ligar essas aprendizagens aos processos reais da organização. É aqui que entra a lógica de “IA por último”: perceber onde a IA faz sentido nos fluxos de trabalho — e onde uma automatização mais simples resolve o problema de forma mais eficaz.

    4. Pensar em “IA por último” é fazer as perguntas certas

    Depois de consolidar a aprendizagem interna, o passo seguinte é transformar esse conhecimento em melhorias concretas nos processos.

    Em vez de começar pela tecnologia, vale a pena começar pela pergunta certa: qual é a solução mais simples para este problema?

    Sempre que possível, comece por soluções simples e previsíveis. Por exemplo, use regras para automatizar a categorização de tickets. Quando os casos excecionais começarem a acumular-se — e as regras deixarem de ser suficientes — pode fazer sentido dar o passo seguinte e recorrer a aprendizagem automática. O objetivo não é evitar a IA. É usá-la apenas quando acrescenta valor.

    Comece pelos processos. Automatize o que for possível com regras claras. Se uma lógica simples “se… então…” resolve o problema, não é preciso introduzir IA. É uma solução mais simples, mais previsível e mais fácil de manter.

    É útil ouvir o que os fornecedores propõem — mas a conversa deve começar pela pergunta certa: Em que situações é que a IA traz algo que a automatização convencional não consegue oferecer?

    Essa é a pergunta essencial. Depois, vale a pena aprofundar: “Como usam IA na própria organização?”, “Que resultados reais conseguiram noutras implementações?”, “Onde têm visto o retorno mais rápido?”.

    Depois, é fundamental validar essas promessas. Estudos de analistas, como o Gartner AI Use-Case Assessment for IT Service Desk, avaliam aplicações de IA no ITSM com base na sua viabilidade e impacto. É este tipo de informação que deve orientar o plano — não um discurso comercial.

    Quando os processos estão mais sólidos e existe uma cultura de aprendizagem, faz sentido olhar para onde a IA já está a trazer valor no ITSM. Com base na experiência com clientes e naquilo que se observa no mercado, algumas áreas destacam-se neste momento:

    • Bots no portal ou no Teams para acesso conversacional
    • Pesquisa com LLM aplicada a tickets e bases de conhecimento
    • Correlação de incidentes e deteção de anomalias (com dados e integrações sólidos)
    • Síntese de conhecimento para resumir resoluções, não apenas gerar conteúdo

    A questão não é rejeitar a IA. É usá-la com critério e apenas onde faz sentido..

    Conclusão

    Devemos olhar para o futuro da IA com entusiasmo. Mas criar valor hoje não passa por tentar ser, de forma vaga, “IA em primeiro lugar”.Passa por perceber que problemas justificam o seu uso — especialmente aqueles que não seriam resolvidos apenas com automatização tradicional.

    Primeiro os processos. Depois a automatização. A IA entra quando acrescenta algo que as soluções mais simples não conseguem oferecer.

    A IA não corrige problemas de base. Mas, com base sólida, pode elevar significativamente a operação.

    Keith Andes
    Keith Andes
    Product Marketing Manager

    Get in touch with a salesperson!

    Si sine causa, nollem me tamen laudandis maioribus meis corrupisti nec voluptas sit, a philosophis compluribus permulta dicantur, cur nec segniorem ad eam non ero tibique, si ob aliquam causam non existimant oportere nimium nos causae confidere, sed uti oratione perpetua malo quam interrogare aut.

    INDUSTRY SPECIFIC EV SERVICE MANAGER SOLUTIONS

    Our proven platform, strong values, and passionate team of professionals make up our identity. As IT loyalists, we are committed to providing superior ITSM and ITOM solutions that are innovative and sustainable.